[Cena paulistana I] Marlene, 33 anos, meio doida, madrugada de domingo, loja de conveniência, avista Expedito, um colega da antiga firma que sugara sua alma.

– MEU DEUS! QUANTO TEMPO!

Marlene, que ama as pessoas sobre todas as coisas, prende o cabelo, solta o cabelo, sacode outra vez e coloca atrás da orelha.

– E FULANO? AINDA TÁ TRABALHANDO LÁ? NÃO É POSSÍVEL! VAI MORRER NAQUELA MESA, COITADO. ELA AINDA ESTÁ COMO ADMIN DE COMENTARISTAS DE PORTAL?

Expedito, tímido, acima do peso, meio doido, meio sem viço, hábito de viver quieto, disfarça falando sobre o clima.

– Agora ele é CEO de grupos de WhatsApp. Que friACa aqui…

Marlene, que lamenta profundamente a falta de sensibilidade poética na cidade grande, declara, do nada:

– Ano passado, lembra? Você foi uma pessoa muito importante na minha vida e eu queria te agradecer. Eu adoro você.

Silêncio.
Silêncio.
Silêncio.

ENORME, surge a constatação do título.

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