Taxista, malufista e fã do Reinaldo Azevedo

Maluf e BolsonaroSob uma chuva torrencial, caminhei até a Avenida Ipiranga e tomei um táxi: “Bom dia, é uma corrida curta por causa dos alagamentos”.

Esse foi o pretexto para o motorista iniciar uma conversa.

“Se o Maluf tivesse sido eleito presidente, não estaríamos todos boiando”. Perguntei porque ele acreditava nisso. “Se o partido do Maluf não tivesse apoiado a candidatura do avô do Aecio Neves, Sarney jamais teria sido presidente. A senhora é muito nova, não deve lembrar”. Respondi que de fato não lembrava, mas que era jornalista e gostava de política. Sobrou pra mim.

“Jornalista? Melhor a senhora não falar isso por aí”.

Bom ouvinte de rádio, o taxista disse que escutava muito o Reinaldo Azevedo, desde os tempos em que ele não era “petista”. E emendou: “Eu não votei no tal do Bolsonaro por causa do Reinaldo. Um homem muito inteligente”. Perguntei se gostava de mais algum jornalista. “Gosto do Kennedy”.

E continuou falando. “Sou muito bem informado e posso garantir pra senhora que o Brasil nunca dará certo’”.

Dei risada e perguntei porque ele gostava do Maluf, que representava a continuidade do regime militar na época, e não gostava do Bolsonaro. Eis a reposta:

“Porque eu votaria num homem que prega o fim da corrupção? Pra quê? Pra provocar desemprego ? Pra colocar a culpa de tudo nos outros e não fazer nada? Eu estou quase pedindo a volta da corrupção”.

Segundo sua lógica, o brasileiro não presta. Ou é honesto ou é malandro, ou é generoso ou é otário. “Veja só o Collor senador! E a Dilma, coitada, era muito incompetente, mas caiu por nada. Não sou petista, mas brincadeira…”

O taxista também estava impressionado com os filhos do presidente brasileiro e escandalizado com a eleição de João Dória. “Mas não votei no Skaf. Fiz uma corrida pra ele e sequer me cumprimentou”.

Daí contei que votava em São Paulo, mas era piauiense. “Teresina, moro aqui há doze anos”. E ele: “Então já é paulista”. Esbocei um protesto.

No caminho, um pequeno rebuliço por conta de um farol quebrado. “Veja isso. Colocam um monte de farol moderno, mas quando chove, que é quando precisamos mais ainda deles, todos quebram”.

O carro se aproximava do meu destino quando perguntei, afinal, em quem ele votara para presidente. Já sabia que não era petista, nem bolsonarista, e gostava do Maluf. “Votou no Ciro?”, provoquei. “O candidato que eu menos odiava está preso. Anulei. A senhora vai pagar na máquina?”.

Ali estava, sem muito blábláblá, um brasileiro tipicamente ‘moderno’: saudoso do velho, mas sem grandes ilusões.

Eu disse que pagaria em dinheiro, ao que ele reagiu positivamente puxando um bolo de notas de vinte: “Ótimo”.

Almoços Imaginários

Sendo o mais narcisista, Doria é o mais paulistano dos políticos paulistas. O narcisismo paulista implica um fascínio exclusivo com a própria imagem combinada à uma expansividade que é personificada, sendo mais simplista, pelo ‘tio do pavê’. Ou seja, sem a auto-gozação que torna o carioca um tipo mais simpático.

Em setembro de 2017, João Doria participou brevemente de uma recepção no Palácio do Eliseu, em Paris. Por aqui, o então prefeito alardeou pelas redes uma REUNIÃO com o presidente francês, mas a comunicação do Eliseu utilizou outros termos: ‘Ele foi saudado pelo presidente”. Segundo especialistas em leitura labial, Macron e João trocaram as seguintes palavras:

– Revista Caviar

– Oui

É bem conhecida a fama de Macron de ‘gongadeiro’, então pode ser que o diálogo acima tenha acontecido. A agenda oficial do ex-prefeito Doria também anunciou um almoço reservado com o primeiro-ministro, Édouard Philippe. Ao Estadão, a direção de comunicação de Philippe informou que o encontro sequer chegou a ser programado.

Fique claro que Dória não é o protagonista desse humilde texto. O protagonista é o ALMOÇO: evento que reúne pessoas estimuladas pelo apetite em torno de uma mesa onde se dão formas de aproximação e tratamento.

De volta para ontem

14 de janeiro de 2019

almoço bolsonaro e embaixadores

A agenda do chanceler brasileiro divulga almoço com Bolsonaro e embaixadores da Bolívia e da Itália. À tarde, a agenda do chanceler exclui os embaixadores da lista de participantes.

Ao jornal “O Globo“, a representação italiana informou que o embaixador sequer está no Brasil. Já a boliviana disse que o embaixador não sabia do almoço. É verdade que desencontros acontecem, mas os convites sequer foram feitos ? Um pequeno truque de leve pra dar pinta na imprensa ? Não estavam com fome e deram o vácuo ? Talvez só mais uma mentirinha besta pra não perder a prática. Normal.

De volta para o passado

Outubro de 2016

Cúpula dos BRICS na Índia, outubro de 2016. Outro rei da gongação, Vladmir Putin esnoba Michel Temer. O então presidente, obviamente, tenta dar o truque na imprensa brasileira INVENTANDO almoço/jantar com o russo.

Um almoço ótimo com Putin
BRICS – Putin esnoba Temer

Uma hipótese na física teórica defende que o nosso universo pode ser apenas um entre um número infinito de universos que compõem um “multiverso”. Nessa perspectiva, é possível que Doria, Macron, Temer, Putin, Trump, Embaixadores, Jair, Dudu, Carlos, Ernesto, Didi, Zacarias, Huck, Alexandre Garcia e Fabricio Queiroz  estejam todos almoçando e brindando o sucesso que é a vida nesse momento.

E agora?, perguntará você. E agora nada. Vamos todos fazer exercícios e beber água pois a vida sedentária é péssima para a saúde.

Tenham um bom dia.